O que é Inteligência Espiritual e o que ela faz dentro de você?

O que é Inteligência Espiritual e o que ela faz dentro de você?

AS 4 DIMENSÕES DO SER HUMANO

O conceito de múltiplas inteligências teve origem na década de 80, quando Howard Gardner publicou o livro “Frames of Mind”. A lista de inteligências tem crescido ao longo dos anos, graças à sua investigação. Vários autores e investigadores têm-se dedicado à investigação de determinadas inteligências como é o caso da inteligência emocional e da inteligência espiritual. Considerando apenas um número reduzido de inteligências, temos: Física ou Corporal – Relacionada com a consciência corporal, o seu uso hábil, a saúde e o bem-estar físico. Mental ou cognitiva – Que diz respeito à

capacidade de compreender o que nos rodeia e de adquirir conhecimentos teóricos. Emocional – Representa a capacidade de identificar e gerir as emoções em si e nos outros, de se motivar e gerir as relações. Espiritual – Que é a capacidade de aplicar,
expressar e incorporar recursos espirituais, valores e qualidades para se melhorar o funcionamento diário e o bem-estar. Embora o ser humano seja um ser integral, é como se tivesse dimensões interdependentes. A dimensão física – “Eu tenho um corpo”, a dimensão “mental ou cognitiva” – “Eu penso”,
a dimensão emocional – “Eu sinto emoções” e a dimensão espiritual “Eu sou”.

DEFINIÇÃO

A capacidade de aplicar, expressar e incorporar recursos espirituais, valores
e qualidades para melhorar o funcionamento diário e o bem-estar.

investigador Yosi Amram define a inteligência espiritual como a capacidade de aplicar, expressar e incorporar recursos espirituais, valores e qualidades para melhorar o funcionamento diário e o bem-estar. Estes recursos espirituais referem-se aos temas das tradições de sabedoria relacionadas com a consciência, o sentido último, o sagrado, a transcendência e a libertação.  

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL VS RELIGIÃO

Há pessoas que mostram alguma resistência em conhecer a inteligência espiritual por
a confundir com religião.

Écomum a inteligência espiritual ser confundida com religião, devido ao termo “Espiritual” que a domina, mas neste ebook queremos esclarecer qualquer dúvida que possa ter. Uma religião é um conjunto de crenças e práticas rituais, partilhadas por um grupo de pessoas, que relaciona a condição humana com um propósito maior transcendental. Tem por objectivo ajudar as pessoas a crescerem espiritualmente, contribuir para a 

conformidade social, a fornecer um contexto cosmológico para as suas vidas, e ajudar a interpretar a realidade quotidiana em relação a um propósito maior ou com a vontade de uma divindade A Inteligência Espiritual é um conjunto de capacidades ou habilidades que podem ser aprendidas e desenvolvidas por todos; é independente de qualquer sistema de crenças ou religião e tem por objectivo ajudar a resolver problemas e situações da vida real.

“Só com o coração é que se pode ver corretamente. O essencial é invisível aos olhos.” Antoine de Saint-Exupéry

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL VS ESPIRITUALIDADE

Embora cada vez menos pessoas se considerem religiosas, muitas procuram a
espiritualidade como caminho de crescimento interior.

Por vezes, a Inteligência Espiritual também pode ser confundida com espiritualidade. Segundo Robert Emmons, a espiritualidade refere-se à procura individual, à experiência de elementos do sagrado, do sentido profundo, da união, da conexão, da transcendência de si num todo maior e ao desenvolvimento de múltiplos níveis de consciência.

Eu gosto da igreja silenciosa antes do serviço religioso começar, é melhor do que qualquer sermão.
Ralph Waldo Emerson

Podemos ver a espiritualidade em duas dimensões: 1. Dimensão “vertical” de ligação transcendente com algo maior que nós próprios 2. Dimensão “horizontal” de ligação e serviço ao próximo e a todos os seres vivos. Como é que a espiritualidade se diferencia de Inteligência Espiritual? Enquanto a Inteligência Espiritual é um conjunto de capacidades ou habilidades, a espiritualidade é a experiência interior de cada ser humano na sua procura individual do sentido profundo e de união e da transcendência de si num todo maior. Todo o ser humano é um ser espiritual na medida que tem espiritualidade. Todo o ser humano pode desenvolver capacidades ou habilidades da Inteligência Espiritual.

AS 22 COMPETÊNCIAS DA INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL

Cada uma das 22 competências é independente das outras e o seu desenvolvimento
intencional influencia positivamente o desenvolvimento das restantes.

Segundo Yosi Amram, a Inteligência Espiritual é composta por 22 competências que se agrupam em 5 domínios. O desenvolvimento destas competências é feito ao longo da vida e depende da fase e da situação
de vida que se está a viver. Pode haver um retrocesso em algumas destas competências, se não existir uma prática deliberada do seu desenvolvimento. A investigação de Yosi Amram concluiu que a 

Inteligência Espiritual evolui com a idade, isto é, pessoas com mais idade têm em média mais inteligência espiritual que as pessoas com menos idade. Assim, o desenvolvimento da Inteligência Espiritual é um investimento para toda a vida. Neste ebook vamos falar dos 5 domínios e apresentar-lhe as 22 competências da Inteligência Espiritual de acordo com a investigação de Yosi Amram.

“Uma jornada de mil milhas começa com um único passo.”
Lao Tzu

As competências que estão dentro deste domínio estão relacionadas, como o nome indica, com a Consciência. Dizem respeito à capacidade de atingir estados de consciência, de se ser intuitivo, e de sintetizar vários pontos de vista para melhorar o funcionamento e o bem estar diário. Divide-se em três competências ou habilidades: Atenção – Representa a capacidade de ser consciente dos pensamentos, emoções e sentimentos. Está muito relacionada com o estar realmente presente em todos os momentos, de corpo, alma e espírito, de modo a que qualquer resposta seja dada de uma forma mais consciente e acertada.

Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas por
tornar a escuridão consciente. Este último, no entanto, é desagradável
e, portanto, não é popular.”
C.G. Jung

Intuição – Diz respeito ao sentimento instintivo, à sensação de se saber alguma coisa, mas não se compreender como se sabe. Representa formas de saber além do pensamento consciente e ajuda na tomada de decisões ao longo da vida. É normalmente chamada “sexto sentido” e o senso comum associa-a às mulheres. A boa notícia é que tanto homens como mulheres são intuitivos e podem desenvolver esta competência de forma intencional para serem cada vez mais intuitivos!

Síntese – É a capacidade de combinar pontos de vistas conflituantes, contraditórios ou paradoxais numa perspectiva integrada. É essencial para o desenvolvimento de relações, para a vida em sociedade e para tomadas de decisão mais conscientes ao longo da vida. Está relacionada com paradoxos e polaridades.

Acredito em intuições e inspirações…
Às vezes SINTO que tenho razão.
Não SEI se tenho.”
Albert Einstein

O domínio da Graça assenta na capacidade de
se viver alinhado com tudo o que é sagrado. E
com isto não se refere a qualquer divindade, mas à beleza, alegria, gratidão e amor pela vida e pela liberdade. É a acção de aproveitar a inspiração, a beleza e a alegria inerentes a cada momento presente para melhorar o funcionamento e o bem-estar. Este domínio é composto por seis competências: Alegria – Traduz-se na capacidade de desfrutar e sentir satisfação nos diferentes momentos da vida. Beleza – Refere-se à capacidade de notar, apreciar e desfrutar da beleza que está dentro de nós e ao nosso redor, a todo o momento. É conseguir identificar o que de belo nos rodeia em cada situação. Discernimento – É a capacidade de julgar, perceber, ter uma visão e viver em alinhamento e integridade com a sua verdade e valores. É essencial para um bom espírito crítico e para ter 

capacidade de tomar decisões alinhadas com a essência de cada um. Gratidão – Este conceito é muito popular nos dias de hoje e representa a capacidade do coração para agradecer por tudo o que nos é dado. Fazer o exercício de sentir gratidão pela vida, pelo lar, pela comida e por todos os outros pequenos pormenores que fazem parte de nós e dos nossos dias é essencial para que tomemos real consciência de quanto de bom temos à nossa volta. Imanência – Diz respeito à capacidade de corporeidade e experienciar a beleza e o mistério da criação, da natureza e da vida no meio do fazer e do ser quotidiano.
Liberdade – É a capacidade de viver de forma
autónoma e autêntica. É pensar fora da caixa
em vez de seguir convenções populares das
nossas crenças, acções e discurso. É viver a
própria verdade.

O domínio do Sentido remete para o sentido e propósito que existe em todas as actividades diárias. Remete para o apelo ao serviço, de acrescentar algo ao planeta e aos outros. Permite-nos ligar valores pessoais às experiências e construir novas interpretações sobre as acções que são tomadas. É composto por duas competências: Propósito – Representa a capacidade de sentir e experienciar uma razão para o significado da vida e da existência. Pode ser aplicado em cada acção e em cada decisão do dia a dia. Serviço – Traduz-se na habilidade de ouvir e de dar resposta ao apelo de ajudar os outros e de viver em devoção para benefício de um todo maior. É a capacidade de atribuir um sentido maior e de contribuir para o outro em todas as acções e decisões que se tomam.

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O domínio da Transcendência diz respeito à capacidade de alinhamento com o sagrado e
de transcender o eu egóico, ou seja, ir além do
seu ego. É composto por cinco competências:
Eu Superior – Refere-se à capacidade de a pessoa se ligar e receber orientação de um eu sábio ou superior, de seres mais elevados ou iluminados ou de um espírito, dependendo de quais são as crenças de cada pessoa. Está muito ligado à intuição. Holismo – Traduz-se na capacidade de sentir uma plenitude interior e exterior, de integrar várias partes, de ver e experienciar a sua interrelação e a sua unidade. É a capacidade de uma pessoa se sentir um ser único e integrado na sua realidade. 

Prática – Diz respeito à capacidade de desenvolver e aplicar os seus músculos espirituais através de rotinas de exercício consciente, tais como meditação, oração, inquirição, definir tempos de contemplação e silêncio interior, ou outras práticas destinadas a ajudar o seu desenvolvimento interior e o crescimento espiritual. Relação – Remete para a capacidade de a pessoa se experienciar a si própria, não em separado, mas pertencer e estar ligado a uma comunidade humana maior e à grande teia da vida como um todo. Sacralidade – É a capacidade de experienciar, alinhar e viver em harmonia com uma força vital universal, ou o divino como imanente na nossa vida quotidiana e presente no nosso mundo.

O último domínio é o da Verdade e diz respeito à capacidade de a pessoa estar presente para o amor e para a verdade. É composto por seis competências: Abertura – Envolve a capacidade de permancer receptivo e de abraçar a experiência e o fluxo da vida em vez de resistir a ela. Ausência de ego – Refere-se à capacidade de viver de forma humilde, em alinhamento e em rendição ao que é maior, e não ao pequeno ego encapsulado no corpo, independentemente do nome que se lhe possa dar, seja ele espírito, verdade, vazio, ser, Self, Deus, natureza, universo ou o Tao, entre outros, de acordo com o sistema de crenças de cada pessoa. Confiança – Traduz-se na capacidade de permanecer estável, com confiança, fé e optimismo de que as coisas vão funcionar pelo melhor e de que se vai ficar bem.

Equanimidade – É a capacidade de permanecer em paz, manter a calma mental, a compostura e a uniformidade de temperamento, mesmo quando as coisas são caóticas ou perturbadoras dentro ou fora de si. Plenitude Interior – Corresponde à capacidade de aceitar e integrar todas as partes de si mesmo, incluindo as partes feridas e sentirse confortável dentro da própria pele. É a capacidade de aceitar o seu todo como uma realidade, tanto a luz como a sombra. Presença – Diz respeito à capacidade de permanecer presente, desperto e consciente do que está a acontecer, aqui e agora, de permanecer centrado e focado na questão e na tarefa que se tem em mãos, em vez de deixar a mente vaguear. É a capacidade de viver no momento presente e não deixar a mente viajar pelo passado ou pelo futuro.

COMO SE DESENVOLVEM AS COMPETÊNCIAS DA INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL?

Ao longo da vida, todos nós desenvolvemos as competências da Inteligência Espiritual de uma forma inconsistente e sem nos apercebermos disso.

Já todos nós sentimos a necessidade trazer a mente e corpo para o momento presente, e trabalhámos a presença e a atenção; Todos nós já tivemos pensamentos de fé e de optimismo perante situações mais desafiantes e dissemos “vai correr bem”, e trabalhámos a confiança; Já todos nós sentimos que temos de tomar uma determinada

decisão ou seguir um determinado caminho na nossa vida, e que nem sempre ter uma explicação racional é suficiente, e trabalhámos a intuição e o Eu Superior; É bem possível que todos nós também já tenhamos feito uma tarefa ou actividade, simplesmente porque estaríamos a contribuir para apoiar e ajudar outras pessoas ou seres vivos, e trabalhámos o serviço, talvez até o propósito.

Os exemplos são infinitos! O que acontece é que sem um desenvolvimento consciente e intencional sobre estas competências, ficamos presos aos talentos e às habilidades naturais de cada um. Ou seja, há pessoas que são bastante intuitivas ainda que não tenham trabalhado a intuição, ou outras que são mais estáveis emocionalmente ainda que não tenham trabalhado a equanimidade. Estas competências são intrínsecas nessas pessoas, mas isso não quer dizer que as restantes não as possam aprender ou desenvolver. Com o desenvolvimento das competências da Inteligência Espiritual todas as pessoas poderão descobrir como experienciar cada uma das competências e integrá-las no seu dia-a-dia para melhorar o seu funcionamento e bemestar, de forma consciente e sustentável ao longo do tempo.

Spirituality and religion, Hands folded in prayer on a Holy Bible in church concept for faith.

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